Igreja Tocoista quer apoiar populações afectadas pela seca no sul do país
O líder espiritual, Dom Afonso Nunes, manifestou a disponibilidade da sua igreja cooperar com o Executivo na resolução dos problemas que afectam a sociedade, principalmente a seca no sul do país, enquanto não fica concluído o projecto que visa reduzir o impacto da seca na região.
A disponibilidade foi manifestada esta quarta-feira, 15 de Dezembro, no Palácio Presidencial, durante a audiência concedida ao bispo pelo Presidente da Republica, João Lourenço.
No final do encontro, Dom Afonso Nunes, disse aos jornalistas que a conversa com o Chefe de Estado correu bem, como esperava, e que o Presidente foi bastante receptivo.
"Fizemos uma fotografia sobre aquilo que é a geografia de fome, problema que está hoje na ribalta no nosso país, procuramos fazer uma geografia e ver de facto as partes mais afectadas, e como se pode fazer para que se possa dinamizar esse processo de distribuição de alimentação nas zonas onde existe a seca, onde não há comida e onde a comida está a se estragar. Então, o Presidente foi tão receptivo nesse sentido”.
O líder espiritual aconselhou a população a ter paciência e acreditar nas medidas que estão a ser tomadas para dar solução aos problemas que afectam o país.
De igual modo, reforçou a importância do diálogo, a única via que considera eficaz para que Angola possa estar no caminho de paz, do desenvolvimento e sobretudo da harmonia social que se pretende.
"Nós temos que ter sempre uma palavra de encorajamento naquilo que está sendo bem feito. A nossa missão é ajudar quem governa, porque se não ajudarmos quem governa, estamos a criar dificuldades para nós próprios”.
Segundo Dom Afonso Nunes, quando o país caminha bem e dá resultados positivos, o povo próspera e a igreja também. "Como voz profética, nunca devemos abrir a boca na rua, nem em outros meios, mas qualquer preocupação que o povo tiver, devemos conversar com aquele que Deus colocou no trono”, acrescentou.
O bispo disse que a Igreja Tocoista tem andado pelo país a incentivar o povo a trabalhar, criar capacidade para produzir e os jovens a estudarem.
"A igreja tem projectos ligados à agricultura e agropecuária. A nossa missão é incentivar o povo a trabalhar para saber que é da terra onde vem a riqueza, onde vem os alimentos. Nossa missão é essa, criar escolas, hospitais, centros de saúde, para que ali se possa formar pessoas com estrutura, com conhecimento sólido, para que os nossos filhos e netos, amanhã, possam conduzir um país melhor do que esse, um continente melhor do que esse, ajudando dessa forma o Governo e o país no caminho da estabilidade”, realçou.
Para reduzir o impacto da seca na província do Cunene, o Governo executa um projecto que visa a construção de um vasto sistema de transferência de água, a partir do rio Cunene, na zona de Cafu, para abastecer as localidades de Cuamato, Namacunde e Ndombondola. A conclusão deste projecto está prevista para o mês de Fevereiro do próximo ano.